Caso Ana Clara: pai indicou onde os irmãos que deceparam mãos de jovem estavam escondidos
15/05/2026
(Foto: Reprodução) Vídeos mostram diálogo entre irmãos que deceparam mão de jovem: ‘Tu matou?’
Raimundo Nonato Acioli dos Santos, pai dos irmãos que deceparam as mãos da jovem Ana Clara, de 21 anos, foi quem indicou onde os filhos Ronivaldo dos Santos e Evangelista dos Santos estavam escondidos.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), logo após tomarem ciência do crime, os policiais militares iniciaram as diligências para encontrar os suspeitos e se dirigiram à casa do pai deles.
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No local, Raimundo indicou os possíveis endereços onde estariam os filhos. Em depoimento à polícia, o pai da dupla denunciada informou que Ronivaldo havia lhe enviado mensagens afirmando que Evangelista tinha matado Ana Clara.
Evangelista dos Santos foi capturado pela polícia em uma casa na rua Francisco de Assis Crisóstomo, Bairro Conjunto Esperança, na cidade de Quixeramobim. No referido imóvel, foram apreendidos uma foice, roupas e um chinelo, todos com manchas de sangue, de acordo com o MPCE.
Já o denunciado Ronivaldo Rocha dos Santos foi localizado e preso na residência de familiares, no Sítio Cajazeiras, no município de Madalena, a cerca de uma hora de Quixeramobim, onde o crime ocorreu.
Denúncia MPCE
Irmãos presos por decepar mão de mulher com foice planejaram fugir: 'Tenho que sumir do mapa'
Reprodução
O Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu à Justiça que os irmãos Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos, e Evangelista Rocha dos Santos, de 34 anos, presos por decepar as mãos da jovem Ana Clara de Oliveira, de 21 anos, com golpes de foice, paguem uma indenização de R$ 97 mil à vítima. O órgão também pediu que a dupla seja condenada pela crime de tentativa de feminicídio.
O crime ocorreu na madrugada do dia 1º de maio, na cidade de Quixeramobim, no interior do Estado. Naquele dia, Ronivaldo e Ana Clara brigaram. Pouco depois, o homem foi buscar o irmão, Evangelista, que pulou o muro da casa da vítima e usou uma foice para atacá-la.
Na denúncia oferecida à Justiça nesta quinta-feira (14), o MP pede que a dupla pague R$ 97.260 a título de danos morais a Ana Clara. O valor está sujeito a alteração por parte da autoridade judicial que vai julgar o caso. Ainda não há prazo para julgamento do caso.
Segundo a denúncia do Ministério Público, feita pela pela promotora de Justiça Juliana Santos, da 2ª Promotoria de Justiça de Quixeramobim, Ana Clara e Ronivaldo conviviam em união estável por dois anos, em um relacionamento conturbado, com discussões e agressões físicas.
No dia do crime, o casal começou a discutir na residência onde morava e, com a intensificação do conflito, a vítima pediu insistentemente que o companheiro saísse de casa.
"Pouco tempo depois, o companheiro da vítima voltou acompanhado do irmão, que portava uma foice, e passou a instigá-lo, dando comandos repetidos para que ele matasse a mulher. Diante disso, o cunhado da vítima desferiu golpes de foice contra ela, causando-lhe múltiplas lesões e decepando as mãos dela. As agressões só pararam quando ela desfaleceu e os dois irmãos fugiram do local", disse o Ministério Público.
Ana Clara foi socorrida após vizinhos ouvirem gritos de pedido de socorro e chamarem a Polícia e uma ambulância. Ela foi submetida a uma cirurgia de emergência de reimplante das mãos no mesmo dia e está em processo de recuperação.
Irmãos planejavam fugir
Investigação da polícia apontou que Ronivaldo Rocha, de 40 anos, matinha sentimento de posse sobre Ana Clara, de 21 anos, com quem se relacionava há cerca de dois anos.
Reprodução
Diálogos obtidos pela Polícia Civil após a quebra de sigilo dos telefones dos dois, autorizada pela Justiça, mostram que Evangelista pediu dinheiro ao irmão para fugir e foi repreendido pelo mais velho pela violência empregada contra a jovem. "Era só ter dado umas mãozadas nela pra ela respeitar as cara”, completou Ronivaldo.
Por volta de 2h da manhã, Evangelista disse: "Manda só mil reais que vou sumir". Ronivaldo então respondeu com um áudio: "A culpa toda vai subir pra mim. Eu que tenho que sumir do mapa, [tu] se faz de doido é? Loucura que tu fez isso aí, era só ter dado umas mãozadas nela pra ela respeitar as cara [...] Como é que vou mandar [dinheiro], se tudo vai sobrar é pra mim".
Em seguida, Evangelista solicita que Ronivaldo vá à sua casa buscar um caderno, mas não há informações se o mais velho fez a transferência de dinheiro solicitada. Evangelista foi preso ainda no dia 1º de maio, por volta de 10h30, em casa, em Quixeramobim.
Já Ronivaldo, que disse que precisava "sumir do mapa", foi preso por volta das 13h na cidade de Madalena, a cerca de 63 quilômetros do local do crime.
Após a prisão, ambos foram conduzidos à Delegacia de Quixeramobim, onde foram autuados por tentativa de feminicídio. Atualmente, eles estão em um presídio em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.
No relatório de indiciamento contra os irmãos, a Polícia Civil afirmou que o diálogo sobre a fuga demonstrava que Ronivaldo não tinha preocupação "com a condição da vítima brutalmente mutilada, mas exclusivamente com as consequências penais que recairiam sobre ele próprio".
O que aconteceu na noite do crime
A investigação apontou que, na noite do crime, Ana Clara e Ronivaldo ingeriram bebida alcoólica e iniciaram uma discussão. Em determinado momento da discussão, Ronivaldo decidiu sair de casa, no que Ana Clara acertou o carro dele com uma pedra.
A discussão continuou no meio da rua e foi captada por imagens de câmeras de segurança. As imagens também mostram Ronivaldo correndo atrás de Ana Clara. Depois, ele desiste e vai embora. Cerca de 20 minutos depois, ele volta de carro, já com o irmão, Evangelista (veja vídeo no início da reportagem).
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Quando Ronivaldo e Evangelista chegam, o último sobe o muro da casa de Ana Clara. Ronilvado entrega a foice para o mais novo, que se aproxima da janela onde a vítima estava e pede para ela abrir e conversar.
Quando Evangelista entra, começam os ataques. Conforme os autos do processo, no primeiro golpe a mão direita já foi decepada. Os golpes seguintes fizeram com que a mão esquerda ficasse semi-amputada, além de deixar cortes profundos em outras partes do corpo, como ombro, perna e cotovelo.
Ana Clara foi socorrida após vizinhos ouvirem gritos de pedido de socorro e acionarem a Polícia e uma ambulância. Ela foi submetida a uma cirurgia de emergência de reimplante das mãos no mesmo dia e está em processo de recuperação.
Câmeras de segurança captaram discussão entre Ana Clara, que teve as mãos amputadas, e o companheiro dela, Ronivaldo Rocha, suspeito do crime
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O que disseram os irmãos
O g1 teve acesso aos depoimentos de Ronivaldo e Evangelista. O último confessou o crime e deu detalhes do que acontece, enquanto o Ronivaldo, então companheiro de Ana Clara, destacou ter ingerido álcool e não lembrar da maior parte do que aconteceu.
Segundo o relato de Evangelista, ele estava em casa, na madrugada da sexta-feira, quando Ronivaldo ligou e pediu que ele o acompanhasse à casa de Ana Clara para "conversar". Evangelista disse que levou, por conta própria, a foice que viria a ser utilizada no crime e afirmou que "já estava na maldade".
À Polícia Civil, Evangelista informou que os gritos do irmão o influenciaram a atacar a vítima com os golpes de foice - que a atingiram primeiro no braço e depois nos outros membros. Ele disse ainda que deixou a casa de Ana Clara por acreditar que ela tivesse morrido com os golpes.
Já Ronivaldo Rocha afirmou que a discussão com Ana Clara teria relação com as transferências bancárias que ela teria feito da conta dele para a dela, razão pela qual aparece em um dos vídeos das câmeras de segurança chamando a mulher de "ladrona".
Confira a cronologia do crime:
À esquera, namorado corre atrás de Ana Clara. À direita, irmão dele escala parede para invadir residência e praticar crime
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00h33: Câmeras de segurança da rua flagraram o casal brigando na rua; Ana Clara diz para Ronivaldo que ele não iria ficar na casa dela, enquanto ele a chama de "ladrona";
00h37: Ronivaldo aparece correndo atrás da mulher e, ao se aproximar da esquina, grita 'tu vai me pagar'; pouco depois ele grita 'eu vou te matar'.
00h57: Os irmãos retornam à casa de Ana Clara em uma caminhonete.
00h58: Evangelista Rocha dos Santos escala a casa da vítima.
01h00: Evangelista discute com a vítima que argumenta enquanto ela chora: 'ele pode beber, eu não posso beber'.
01h01: Depois Ronivaldo ordena ao irmão: 'Pode matar ela, pode matar'. Depois, é possível ouvir pancadas e gritos ao fundo.
01h01: Em cima da caminhonete, o Ronivaldo grita: 'tu quebrou o vidro do meu carro, tu vai me pagar’.
01h02: Ele chama várias vezes pelo irmão, que está dentro da residência.
01h02: Ronivaldo pergunta: "Evangelista, tu matou? Não era pra ter feito isso, não. Tu matou? Acabou com nossa vida". O irmão sai da casa e diz: "Já era, acabou. Já era, vamos embora"
01h03: Dá pra ouvir Evangelista falando “já era, foi tu quem mandou”, e depois entregando a foice utilizada no crime; enquanto Ronivaldo diz. ‘Eu sei, não era pra ter feito isso não’
1h04: Os dois deixaram a casa, seis minutos depois de chegarem ao local.
Ana Clara foi atacada na sexta-feira (1º).
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