Caso Isabelle Caracristi: veja passo a passo da investigação em duas semanas da morte da jovem
27/09/2026
(Foto: Reprodução) O que se sabe sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi
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A morte da universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, ocorrida em um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, completa duas semanas neste domingo (27). O namorado dela, o bacharel em Direito João Munhoz Neto, está preso e é investigado por violência psicológica e indução ao suicídio. A Polícia Civil já colheu mais de 20 depoimentos de testemunhas sobre o caso e continua a investigação.
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Arquivo pessoal
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O g1 separou 6 passos da investigação policial sobre a morte de Isabelle Caracristi nessas duas semanas. Confira:
1. Primeiros trabalhos periciais
Isabelle Caracristi foi encontrada morta na área comum de um prédio no bairro Aldeota, em Fortaleza, por volta de 20h40 da noite de 13 de setembro. A Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) foi acionada e uma composição da Polícia Militar foi a primeira a chegar ao local.
Com a morte confirmada, uma equipe da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) foi acionada para atender à ocorrência e realizar os primeiros levantamentos periciais. Uma equipe do 2º Distrito Policial, unidade da Polícia Civil da área, também foi deslocada para iniciar a investigação.
"O perito criminal compareceu, fez o levantamento, obviamente com a hipótese de precipitação de uma laje ou de um apartamento, e a primeira diligência que se toma num caso como esse é fazer a verificação do local imediato. Local mediato é onde supostamente alguém ou saltou ou foi arremessado. Então, a perícia imediatamente compareceu ao local imediato, que é esse local do chão próximo à perícia, próximo à piscina", explicou o perito-geral da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), Júlio Torres, em coletiva de imprensa realizada na última quarta-feira (23).
Depois, o perito compareceu aos possíveis locais mediatos da morte, o apartamento onde Isabelle poderia estar, onde morava com João Munhoz, e o rooftop do prédio. Exames periciais também foram realizados nos dois locais.
"O perito inicia uma série de diligências, como coleta de papiloscopia, coleta de DNA, fotografia desses locais. E, nesse primeiro local [apartamento], cabe ressaltar a primeira informação importante, não foi encontrado nenhum tipo de indício de violência, nem de briga. Inclusive, posteriormente, após as coletas das perícias, foi constatado que, na perícia da cortina de vidro, foi detectada apenas a digital do João. Não foi detectada a digital da Isabelle nessa costina de vidro", detalhou Júlio Torres.
"Em seguida, o perito sobe ao rooftop desse apartamento e faz o levantamento desse local como provável local mediato da ocorrência. Esse local mediato fica então com uma hipótese de suicídio, pela primeira vez levantada já nesse momento pelo perito criminal, e é a linha que se seguiu com as investigações e com todos os levantamentos", complementou.
Segundo o perito-geral, o corpo de Isabelle Caracristi deu entrada na Perícia Forense do Ceará já identificado. Porém, a família da jovem tomou conhecimento da morte apenas no dia seguinte e fez o reconhecimento do corpo, na sede da Pefoce em Fortaleza.
Vídeo mostra últimos momentos de jovem encontrada morta em condomínio em Fortaleza
Fantástico
2. Denúncia realizada pela mãe
O caso ganhou repercussão apenas cinco dias depois, quando a mãe de Isabelle, a professora universitária Isorlanda Caracristi, denunciou nas redes sociais que não foi informada da morte da própria filha e que não tinha respostas das autoridades sobre a dinâmica e a causa da morte.
Conforme Isorlanda, a última vez que ela viu a filha foi na tarde do domingo (13), antes que ela fosse para a casa do namorado. Na mesma noite, Isabelle parou de responder às mensagens da mãe. A professora só soube da morte da filha quando foi até o condomínio de João Munhoz, na manhã seguinte.
“Vocês não querem saber o que é isso não, a dor que eu senti. É como se estivesse rasgando todo o meu corpo. (...) Eu dizia para a síndica: ‘não me diga, isso é sonho, isso é sonho, não é verdade’... Aí eu pergunto, meu Deus, o que aconteceu com a minha filha, até hoje”, desabafou Isorlanda em vídeo publicado nas redes sociais.
A professora universitária afirmou que não foi avisada sobre a morte da própria filha, na noite de 13 de setembro. Em depoimento à polícia, João Munhoz alegou que o irmão dele tentou ligar e a namorada deste tentou mandar mensagem para a mãe de Isabelle.
O vídeo gravado por Isorlanda teve repercussão nacional e pressionou a Polícia Civil a intensificar a investigação da morte nos dias seguintes.
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3. Falta de colaboração na investigação
Nos dias seguintes, a Polícia Civil tentou localizar o namorado de Isabelle, João Munhoz Neto, para pedir esclarecimentos sobre o relacionamento e a morte da jovem, mas demorou a localizá-lo. O delegado-geral Márcio Gutiérrez afirmou, na coletiva de imprensa da última quarta-feira (23), que João não colaborou com a investigação.
Segundo Gutiérrez, no dia seguinte à morte de Isabelle, João Munhoz foi até o condomínio onde morava com a universitária em busca do celular dela. Conforme a investigação, o apartamento foi limpo e colocado à venda.
“A Polícia Civil iniciou as investigações e já percebeu que a postura do João era uma postura não colaborativa. Em nenhum momento, ele se colocou à disposição para o esclarecimento dos fatos”, comentou Márcio Gutiérrez.
João ainda teria proibido a entrada de familiares de Isabelle no condomínio e deixado o local carregando malas. Nos dias seguintes à morte, ele não constituiu advogado e mudou de endereço. Só 8 dias após a morte, o bacharel em Direito compareceu à delegacia, acompanhado de advogada.
O g1 recebeu informações que João Munhoz esteve em um imóvel na Praia do Cumbuco, em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza, e em um apartamento de um familiar no bairro Benfica, em Fortaleza.
A polícia tentou localizá-lo nos endereços, mas não conseguiu. Em um cumprimento de mandado de busca e apreensão na Praia do Cumbuco, o celular e o tablet da mãe de João Munhoz foram apreendidos.
4. Depoimento de João Munhoz Neto
João Munhoz Neto compareceu à sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro de Fátima, em Fortaleza, para prestar depoimento sobre o caso, acompanhado da advogada, na noite da última segunda-feira (21).
O g1 teve acesso ao depoimento. Ele relatou que foi à missa sozinho no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no domingo, 13 de setembro - geralmente, aos dias 13 de cada mês, o santuário tem uma programação especial com várias missas por dia.
No depoimento, João Munhoz apresentou uma versão divergente da apresentada pela sogra. O bacharel em direito disse que pediu ao irmão que ligasse para Isorlanda, pois estava abalado demais para conversar com a sogra. João disse que o irmão conversou por aproximadamente 22 segundos com Isorlanda até que ela própria encerrou a chamada.
O bacharel em Direito falou ainda que, após a ligação entre irmão e sogra, a cunhada dele enviou mensagens mais detalhadas informando que Isabelle havia morrido por suicídio.
João falou que ficou esperando o início da nova missa quando recebeu as últimas mensagens de Isabelle, nas quais ela relatava estar com dor. Ele disse ter colocado o celular no modo silencioso para a missa e, somente após o horário que ela morreu, ele voltou a olhar o aparelho.
Foi o irmão de João quem viu no grupo de WhatsApp do condomínio mensagens dos moradores dizendo que uma pessoa havia cometido suicídio. Em seguida, comunicou a João sobre o ocorrido. Após saber a descrição da vítima, João afirmou que passou a suspeitar que poderia ser Isabelle e entrou em desespero.
O irmão de João o pegou de carro após a missa e o levou ao prédio. Ao chegar ao condomínio, Munhoz contou que a perícia já estava no local. Ele também disse que os policiais fizeram buscas no seu apartamento para recolher pertences de Isabelle.
Isabelle Caracristi e João Munhoz Neto.
Reprodução
5. Prisão do namorado
João Munhoz Neto foi detido pela Polícia Civil, por força de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça Estadual, na terça-feira (22), em um apartamento na Avenida Santos Dumont, na Aldeota. Ele foi levado à Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), no Centro.
O namorado de Isabelle é suspeito de cometer os crimes de indução ao suicídio (entenda o que isso significa aqui) e violência psicológica. O delegado-geral Márcio Gutiérrez afirmou que a falta de colaboração com a investigação também motivou o pedido de prisão.
Os investigadores encontraram indícios de violência psicológica e de comportamento controlador por parte de João Munhoz, que teria causado constrangimentos a Isabelle e buscado afastá-la do convívio com outras pessoas. A polícia não informou se são esses indícios que corroboram a suspeita de indução ao suicídio.
"Os depoimentos apontam relacionamento abusivo, violência psicológica. Inclusive, isso foi levado em consideração no momento da prisão. As informações prestadas por testemunhas e obtidas também através da investigação da Polícia Civil apontam que o João mantinha ali uma relação de controle, de limitação de ir e vir. Temos depoimentos que afirmam que a Isabelle não podia sequer Ir sozinha na farmácia, descer do escritório", detalhou Márcio Gutiérrez.
No dia seguinte, João Munhoz passou por audiência de custódia na Justiça Estadual, que manteve a prisão preventiva. Em seguida, ele foi levado a um presídio estadual.
6. Depoimento de testemunhas
A investigação sobre a morte de Isabelle Caracristi é aprofundada pela Polícia Civil com a coleta de depoimentos, análise de vídeos e extração de dados de aparelhos celulares. Pelo menos 25 depoimentos de testemunhas já foram colhidos e cerca de 700 vídeos analisados pelos investigadores. A Perícia Forense já entregou 12 laudos periciais sobre o caso.
Uma das últimas testemunha que compareceu ao 2º Distrito Policial, no último sábado (26), foi uma diarista que prestava serviços na residência de João Munhoz Neto.
A advogada Lídia Aguiar, que representa a diarista, disse à TV Verdes Mares que a cliente ia duas vezes ao imóvel, teve contato com Isabelle, mas nunca presenciou discussão entre o casal. Segundo a advogada, a residência tinha câmeras de segurança.
A Polícia Civil revelou que testemunhas contaram que João Munhoz colocou o apartamento à venda e limpou o imóvel após a morte da namorada. Lídia Aguiar afirmou que a cliente dela não tinha conhecimento do caso e não fez a limpeza da casa, apesar de ter ido ao local para trabalhar no dia 15 de setembro - dois dias após a morte.
"Ela já era acostumada e tinha os dias determinados [de ir]. Ela não tinha conhecimento do que ocorreu, ninguém informou para ela, e ela foi fazer o serviço dela. Quando ela chegou lá, que ela tomou o conhecimento do que tinha ocorrido, ela só saiu do imóvel, mas ela não chegou a limpar ou teve essa intenção de limpar a cena, não, nada, estava tudo normal no apartamento", afirmou a advogada.
Na última quinta-feira (24), foram ouvidos a mãe, o irmão e a cunhada de João Munhoz Neto; um casal de amigos do irmão de João, que estiveram com eles no prédio após a morte de Isabelle, no dia 13 de setembro; e um casal que estava na piscina do condomínio quando a jovem caiu.
Na sexta (25), foi a vez do ex-namorado de Isabelle ser ouvido pela Polícia. A mãe e o irmão da jovem também prestaram depoimentos, nos dias anteriores.
A Polícia Civil ressaltou que outras linhas de investigação ainda não foram completamente descartadas e que o caso permanece em aberto.
Veja infográfico sobre o caso:
Infográfico: Morte da estudante Isabelle Caracristi, em Fortaleza
Arte g1
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